segunda-feira, julho 17, 2006

Tonel de Di�genes

É da “Quimica" e da “Fisica"

Pois,
é porque o raio do Programa de “Quimica” e “Fisica” ter sido HOMOLOGADO só em Dezembro de 2004 é que agora se vão poder repetir os exames das disciplinas de Química e de Física do 12º ano de escolaridade.
Esfarrapada é a justificação. Esfarrapada!!!
Quantos outros Programas foram homologados e alterados e 2004?
E já agora. De quem é a responsabilidade de ter sido homologado em Dezembro e ter começado a ser leccionado em Setembro? Estou enganado???
Isto é um País de faz de conta. Isto já não é o País das bananas, isto é uma “macacada”.
Pois é. O Ministério da “Inducação” condoeu-se com os maus resultados dos alunos a “Fisica” e “Quimica” (os acentos já não servem para nada, por isso os não coloco).
Ou CONDOEU-SE com o facto de muita gente do ensino superior (principalmente dos politécnicos) ficarem durante o próximo ano a “tocar harpa”, por não terem alunos.
Medite-se sobre o assunto e retirem-se as ilações da seriedade dos nossos “gestores” da coisa púb(l)ica, nomeadamente os do ME…EEEEEEEEEEEEEE.
Estou a começar a ficar farto deste “neo-borreguismo”!!!
Eis ao que eu penso e temo poder vir a chegar:
“VOLTA ANA BENAVENTE, estás perdoada, contigo já sabíamos o que esperávamos, com esta malta agora é a “dialéctica no seu melhor” – Vale tudo, mesmo que não seja contra as leis da física e da química são contra as leis do “Bom e São Senso”.
Não são contra as leis da física, pelo menos da aristotélica, pois “o lugar natural” dos alunos no fim do 12º ano é irem para o ensino superior, mesmo contra as leis da “gravidade”(viva o neo-borreguismo peri-pateta ). Não viola também as leis da Química porque se está a pensar numa “reacção em cadeia” (muito perto do famoso, mas questionável, “Nada se perde. Tudo se transforma” – entra burro sai doutor).
Viola as leis do “Bom e São Senso” porque SIM.
S – Saloiice
I – Imbecilidade
M- Mediocridade
São as regras SIM que presidiram a tal decisão, por isso violam o “Bom e São Senso”.
Não há ...
não, não digo. É preciso algum decoro.
Usemos o SIMPLEX
e esqueçamos tal TRAMPEX!

24 Comments:

Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Caro Tiberíades:

O meu amigo esteve aqui no melhor que lhe conheço (e o que não conheço ainda se revela mais promissor).

Começo pela parte séria da questão: de facto, a incongruência dos argumentos que jstificam a repetição dos exames de Física e de Química é inaceitável. Um governo que quer ser levado a sério não pode aplicar um regime de excepção deste tipo apresentando os fundamentos que apontou (e que o Tiberíades escalpeliza aqui).

Amei e subscrevo a noção de neo-borreguismo. Mas não a circunscrevo à educação e à política. Alargo-a a muitas outras esferas e práticas sociais. Neo-borreguismo... tá boa!

Não o acompanho, porém, no apelo ao regresso da Sr.ª Prof.ª Drª Pedagoga Educadora Ana Benavente. Má memória, o nome dessa senhora. Claro que, por comparação, o nome desta ministra será uma assombração, um pesadelo, que me perseguirá até ao fim dos meus dias.

Delenda est Maria Lurdesi Rodericus.

7:34 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Falta de química! Não está a haver muita química! (Helena)

1:13 da tarde  
Blogger Xor Z said...

Acho a sua análise muito interessante. Mas porquê só repetir dois, todos é que era e se dessa não desse, volta outra vez e por aí adiante. Instituíamos o estado dos exames permanentes.

1:06 da manhã  
Anonymous O crítico said...

Não gosto de críticas deste tipo a actos corajosos do governo. A Ministra decidiu repetir os exames. Sabia que ia ter problemas. Mas avançou. Deixem-na trabalhar. Se calhar não vai pôr a educação na ordem. Mas está a pôr os professores na ordem.

Espera lá... o senhor Rambam não será professor e por isso é que está contra a Ministra?

8:26 da manhã  
Blogger Woman Once a Bird said...

E o crítico? O que será para além de um gramofone a repetir títulos de jornais?
A "coragem" da ministra traduz-se em diferença de critérios: o mesmo problema ocorreu com os exames efectuados pelo 11º ano, mas a ver se a senhora se pronunciou da mesma forma.

10:59 da manhã  
Blogger Xor Z said...

Caro crítico
A questão não está em saber se Tiberíades é ou não professor, mas, e isso é muito mais importante, se ele tem ou não razão no que diz. Devo confessar que a sua refutação foi muito rasteira (esse deixem-na trabalhar é muito à Cavaco primeiro-ministro), por isso espero de si melhores argumentos.
O que ele é, o nosso Maimónides, é um filósofo hebraico.

5:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Nota breve: assistimos ao último micro-evento da geral ingovernabilidade desta choldra (Eça dixit)...

Ponto da situação -- continuamos um país de cafres, governado por uma oligarquia de incapazes enfunados (diligentemente coadjuvados por mui solícitos psicopompos), que se empenha na produção duma educação de anedota, para a impingir a um povo capaz e esforçado, mas irremediavelmente peado pela mais crassa ignorância.

Isto nem daqui a cem anos... O melhor é fazer como o Oliveira da Figueira e ir vender tapetes aos arábes; sempre é uma profissão honesta, com honorários em petrodólares.

Miguel A.

10:59 da manhã  
Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Ui, ui, ui, que isto vai dar sangue (Eh eh eh!).

Ó Miguel, tem lá paciência! É verdade que a educação não está hoje em Portugal no estado mais desejável. Mas não está também ao nível que a "esfera pública" nacional quer crer. A "arte de ensinar" nunca esteve tão evoluída como está hoje. E cultiva-se hoje nas escolas a formação da mente esclarecida e crítica dos alunos (os professores mais novos fazem-no mais que os mais antigos.) Isto hoje não tem nada que ver com a Escola do Salazarismo. (E sei que concordas que os resultados quantitativos não são um bom barómetro para aferir o estado da Educação.)

Cá me parece que a ideia que tens do ensino em Portugal está a enfermar pelo mesmo mal revelado pela opinião geral: fizeram uma imagem pré-concebida e "pré-conceituosa" sobre a Escola nacional sem ter uma ideia claro do que lá se faz. Isso não me parece digno da pessoa esclarecida que vejo em ti, pá.

Um abraço.

(Needless to say que uma contra-resposta a matar seria muito bem vinda. Eh eh eh! Aqui no Tonel aprecia-se a polémica.)

11:20 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

A "arte de ensinar" nunca esteve tão evoluída como está hoje.

Pois é, mas nunca foi tão generalizada a burrice (há que chamar os toiros plos verdadeiros apôdos, para continuar com metáforas pecuárias). Talvez esse avanço da arte de ensinar seja parte do problema, já que parece não fazer parte da solução.

Note-se: a minha luta não é com os profs, o que me chateia é a falência geral das instituições, designadamente a da escola, que é o alfobre e o último reduto duma sociedade.

E cultiva-se hoje nas escolas a formação da mente esclarecida e crítica dos alunos (os professores mais novos fazem-no mais que os mais antigos.)

Tá visto! É só luminárias. Os espanhóis é que gostam dos "Morangos com Açúcar". Quanto aos níveis dos finalistas do ensino superior, é melhor nem falar...

Isto hoje não tem nada que ver com a Escola do Salazarismo. (E sei que concordas que os resultados quantitativos não são um bom barómetro para aferir o estado da Educação.)

Mas o Salazar é o fundador de Portugal? Tivemos um azar -- ou talvez não -- que durou cinquenta anos. Andamos há trinta a ensaiar uma saída airosa e ainda estamos pior em tudo, menos nos números (somos mais, temos mais dinheiro, mas continuamos a não conseguir achar o caminho para sair de dentro da proverbial caixa de papelão -- se me permites a localização duma expressão dos anglos).

Quanto às avaliações quantitativas, com os resultados da Matemática das últimas décadas, que confiança merecem?

Cá me parece que a ideia que tens do ensino em Portugal está a enfermar pelo mesmo mal revelado pela opinião geral: fizeram uma imagem pré-concebida e "pré-conceituosa" sobre a Escola nacional sem ter uma ideia claro do que lá se faz. Isso não me parece digno da pessoa esclarecida que vejo em ti, pá.

Olha, aquilo que eu sei da nossa escola, aprendi de duas formas: por lá ter andado e por privar com quem lá andou. Na minha opinião e salvo as honrosas excepções, que as há, mas que mais não fazem do que confirmar a regra, o saldo é duplamente negativo.

O problema não é dos professores, em particular, mas do país, em geral. Chamem-me o que quiserem, mas as minhas quotas desta sociedade estão à venda. Pela melhor oferta...

Miguel A.

12:14 da tarde  
Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Hmmm! Isto vai aquecer! (Eh eh eh!) Vamos lá animar o Tonel…

Caro Miguel:

Começo pelo problema central e pelas suas causas mais profundas, cintando-te:

“a minha luta não é com os profs, o que me chateia é a falência geral das instituições, designadamente a da escola, que é o alfobre e o último reduto duma sociedade.”

Exactamente! As instituições e as práticas sociais são um produto de todos os processos e de todas as dinâmicas do grande sistema social. Então por que disparar sobre os profs? Estavas à espera que a Escola andasse a contra-corrente da sociedade? Nós bem tentamos, mas não achas que a força da corrente é fortíssima? Não vês a vitória hérculea que é conseguirmos fazer os alunos gostarem um pouquinho do saber ou fazer deles melhores cidadãos quando o apelo social é para eles serem medíocres, grunhos, broncos e civicamente irresponsável. Por isso te digo que fazemos milagres.

Falas de resultados. É falacioso olhar o problema dessa perspectiva e tu sabes isso. Numa sociedade louca com tantos problemas sociais (pobreza, famílias desagregadas, indisciplina na escola, pais a minarem o trabalho dos profs) achas que é possível obter-se bons resultados? E a prova do que digo pode ser vista na comparação entre ensino público e privado: os “bons” colégios têm professores fracotes (o Estado paga muito melhor e não obriga à submissão dos carneiros) mas os resultados são bons ou muito bons. O que faz a diferença? O tipo de alunos, de classes favorecidas, espicaçados pelos pais para ter sucesso, que compõem turmas com dinâmicas altamente positivas.

Ainda sobre os resultados. Os profs sabem exigir muito mais. Mas que alunos os acompanhavam? Caro Miguel, companheiro da minha causa progressista, tu percebes que o abaixamento da exigência é uma consequência da democratização do ensino (olha quantas pessoas acabavam o ensino secundário no Salazarismo) e uma adaptação aos tempos. Tem de ser. Mudas a dinâmica social, mudas a qualidade dos alunos. Ah, e o problema não é português; é global!

Falaste do teu caso particular e sabes como a generalização da nossa experiência pessoal leva à deturpação da realidade. A minha experiência com a escola foi excelente. Aprendi até com os maus professores. Mas achas que é possível ensinar alunos que têm em relação ao saber a mesma resistência passiva que ML King tinha em relação ao poder branco? E isto é quando a resistência não é activa… Mas a didáctica evoluiu, sim. Eu tinha profs que, no secundário, monologavam, que passavam aulas a ler textos e em outras situações de um anti-didactismo atroz. Tudo mudou. Os putos é que estão a níveis baixíssimos de tudo: de disciplina, de interesse, de trabalho, etc. São umas amebas mimadas por causa dos pais. (Com excepções honrosas também, Nônô included, também graças a alguns pais.)

Gostava de ver mais opiniões sobre este assunto, mas peço uma coisa. Não se confunda as responsabilidades dos profs com as do sistema de ensino nacional (e sei que tu não o fizeste, Miguel). DEBATER É PRECISO!

Termino dizendo que se fala da escola como uma abstracção e que a maioria dos que o fazem não têm a mínima ideia do que a história é e de como ela funciona hoje.

Um abraço.

9:38 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

mmmunpfh!!!



;-)

Miguel A.

2:47 da tarde  
Anonymous Flor dos Alpes said...

Alexandre, não sei se conheces o sistema escolar suíço: para começar, só passa do kindergarten para a 1ª classe quem for considerado com maturidade suficiente, o que faz com que muitos miúdos só comecem a primária com 7 anos; ao fim de 6 anos (ou seja, aos 12, 13 anos), os alunos são divididos conforme as notas que tiveram e vão para escolas diferentes, sendo que apenas os que vão para o Gymnasium poderão mais tarde ter acesso à Universidade. Ou seja, aos 12 anos ficam logo com o futuro "organizado" (apesar de os que foram para a sekundarschule ou para a oberschule poderem novamente tentar ao fim de 2 anos entrar no gymnasium). Acho esta divisão bastante chocante, o que pensas?

1:27 da tarde  
Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Cara Sr.ª Flor dos Alpes:

Conheço esse tipo de sistema escolar. Acho-o falacioso e cruel. Os ingleses tinham o exame "11 plus" que fazia essa divisão (aos 11 anos) e foi suspenso nos anos 80 (creio!).

O problema é este. É muito cedo para se fazer a triagem a essa idade (12, 13 anos). Os miúdos são ainda imaturos e não despontaram. E, por essa maturidade, os rapazes estão numa situação ainda mais frágil.

Depois, pode ser muito desanimador (pessoal, social e pedagogicamente) ser-se rotulado como criança de 2ª classe, burrinho, etc. Não gostaria a minha amiga se classificassem assim o seu filho, pois não? E com razão. Muitos pais não devem gostar. Nem sei como esse sistema se mantém.

12:09 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

A propósito, duas avaliações da situação do ensino em Portugal que me parecem muito oportunas...

"A autonomia de um professor é nula, não escolhe os manuais escolares, não escolhe os alunos, não escolhe os pais, só muito tarde é que consegue leccionar na escola eleita. Para dar notas, no conselho de turma, o professor propõe a sua nota, que pode ser alterada pelos restantes professores. Tudo é questionado, a falta de autoridade e credibilidade é posta em causa por tudo e por todos. Já não chegava a exclusividade desta profissão escrutinada por toda a gente, desde pais, colegas da escola, alunos, restantes intervenientes escolares e ministério. Digam-me uma profissão, no funcionalismo público, que já tenha tanto controlo por via directa e indirecta?
"Esta alteração na vida dos professores explica-se, porque, além de serem uma classe numerosa, é o elo mais fraco de todas as classes públicas."
Joaquim Jorge [docente] -- Professores. In: Público, 22JUL2006, p. 10.

"O secundário e dezenas de 'universidades' despejam anualmente no mercado de trabalho muitos milhares de ingénuos, que acreditaram na propaganda universal sobre a educação. O país, dizem os políticos, precisa de gente 'qualificada' e a 'qualificação' garante um futuro. Mas não. Nem o país precisa assim tanto de gente 'qualificada' (12.º ano, licenciatura, mestrado, doutoramento), nem a 'qualificação' leva a parte alguma, mesmo supondo que o 'sistema de ensino', como existe, 'qualifica' seja quem for para o que for."
Vasco Pulido Valente -- Insolúvel. In: Público, 22JUL2006, p. 52.

Miguel A.

12:33 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Conhecem alguma outra classe que conte com 60 mil profissionais e cuja imagem pública seja tão negativa?

Arrisco-me a sugerir que os ONZE sindicatos do sector -- com cerca de 350 isenções de serviço docente para actividade sindical -- não estão seguramente à altura das suas missões.

Se esta gente toda, em vez de andar com quezílias que apenas as dividem, se pusesse de acordo em relação ao essencial e o viesse afirmar taxativamente na praça pública, acham que alguém podia fazer de conta que não ouvia?

Questão ociosa, certamente...

Miguel A.

PS: Alex, não me esqueci da tua (contra-)argumentação; estou apenas a guardá-la para mais logo. :)

12:43 da tarde  
Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Miguel:

Esta ilação não é digna de ti:

"Conhecem alguma outra classe que conte com 60 mil profissionais e cuja imagem pública seja tão negativa?"

Não reconheço nela o meu amigo esclarecido e com espírito crítico. Passo a argumentar: desde quando a opinião pública dominante, por ser maioritária, é justa? A exibição de bom cinema na televisão ou a suspensão do financiamento do futebol também receberiam uma opinião pública muito negativa. E desde quando seriam erradas ou injustas. Miguel, não te reconheço na imagem de carneiro seguidor da opinião dominante. Olha, mas os políticos e os funcionários públicos em geral têm todos igualmente uma opinião pública negativa.

E porque achas que os professores são tão mal vistos? Não vês que há toda uma tendência para depreciar a classe? Não há uma teoria da conspiração, mas tens de reconhecer que fomos eleitos bodes espiatórios dos tempos modernos. Diz-me o que faz um segunrança (que passa o dia a passear e a engatar as senhoras de centros comerciais), um operador de turismo (que passa o dia a olhar para um computador e a falar ao telefone)? E alguém se revolta com isso? Não! Porque não foram esacolhidos pelos media como bodes espiatórios. Dizem que trabalhamos apenas 20 horas por semana (argumentação mais nojenta não há). Por essa lógica, um juiz só estava a trabalhar quando tivesse em audiência; um ministro, quando estivesse a falar no parlamento, etc., etc.

E achas que 60.000 profs são muitos? Não sei. Sei que as turmas estão sobrelotadas, o que contribui definitivamente para o abaixamento do rendimento dos alunos.

Há divisão entre os professores? Não. Há sindicatos a mais e há falta de consciência de classe. Mas isso é um problema para a educação em Portugal? O problema é para a classe. Estás a disparar ao lado, como sempre se faz quando se fala de educação: confundem-se decisões ministeriais com trabalho dos professores, problemas de uma comunidade com maus resultados de uma escola.

Quanto às citações. A primeira é de uma alarve falta de rigor e de um malabarismo retórico divorciado da verdade. A segunda é uma generalização pateta e bacoca. (Tu, eu e o VPV também somos licenciados vomitados da Faculdade. E quê?) Se o VPV acha que a Faculdade forma energúmenos, demita-se do lugar (parasita) que ocupa, pois, como investigador, está a legitimar e é cúmplice do trabalho realizado na Universidade Portuguesa.

Isto está a animar. Eh eh eh! Mas, Miguel, tempera, por favor, os teus argumentos com pozinhos de rigor e de verdade. Ataques a um grupo profissional com base em "diz-se que" não são nada teus.

Abraço.

P.S. Now, for something completely different: gostava que propusesses uma interpretação para o 'Maman'. Mas só se tiveres tempo, hem!

P.P.S. Chiça, agora vejo o testamento que escrevi.

1:44 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Não consigo sacudir a impressão que andas a tresler os meus singelos posts...

A referência aos 60K profs não eram um argumento de peso, mas uma constatação da dimensão. Já agora, quantos serão os polícias (não sei, de facto...), ou os seguranças, ou os operadores de turismo, que referiste? E quem faria maior falta, se tivessemos que os mandar todos borda fora?

Miguel, não te reconheço na imagem de carneiro seguidor da opinião dominante. Olha, mas os políticos e os funcionários públicos em geral têm todos igualmente uma opinião pública negativa.

Fazes bem em não me reconhecer, porque não é aí que seguramente me encontrarás. Por outro lado, tal como não é possível agarrar o copo onde ele não está -- por mais profundamente que o queiramos -- também não é possível falar dos factos sociais sem convocar a própria sociedade que os produz; grupos, agentes, forças devem falar por si e não ser encaixados aprioristicamente em grelhas de leitura, por mais convenientes ou politicamente correctas que elas sejam...

E porque achas que os professores são tão mal vistos? Não vês que há toda uma tendência para depreciar a classe? Não há uma teoria da conspiração, mas tens de reconhecer que fomos eleitos bodes espiatórios dos tempos modernos.

O problema não reside no facto dos professores serem mal vistos, o que até poderia ser conveniente para estilhaçar algum senso comum, mas menos bom.

Agora, essa de que foram escolhidos para bodes espiatórios é anémica. Primeiro porque apesar da má onda reinante, não é de todo verdade. Depois porque mesmo que fosse, como admitir que uma classe relativamente privilegiada face à realidade do país, se conforme resignadamente com tal papel? Se os profs nem mesmo conseguem influenciar a percepção que os outros têm deles, que raio de confiança devem esperar nas suas outras competências?

Não! Porque não foram esacolhidos pelos media como bodes espiatórios.

O sr. Rui Rio não diria melhor. O jornalismo que se pratica no velho rectângulo é indigente, mas não esqueçamos que se trata apenas do mensageiro: matá-lo não permitirá ganhar guerra nenhuma.

E achas que 60.000 profs são muitos? Não sei. Sei que as turmas estão sobrelotadas, o que contribui definitivamente para o abaixamento do rendimento dos alunos.

Quem, eu? Acho que são aproximadamente aqueles que existem, o que os torna numa força nada desprezível, em termos políticos.

E se não forem suficientes, sou a favor de se contratarem mais. Prefiro gastar em educação -- apesar dos maus resultados -- do que em polícia, ao arrepio do que me parece ser a tendência actual.

Há divisão entre os professores? Não. Há sindicatos a mais e há falta de consciência de classe. Mas isso é um problema para a educação em Portugal? O problema é para a classe. Estás a disparar ao lado, como sempre se faz quando se fala de educação: confundem-se decisões ministeriais com trabalho dos professores, problemas de uma comunidade com maus resultados de uma escola.

Bem, se me dizes que não há divisões entre os professores, então tenho que acreditar, embora não perceba como é que isso se compagina com a existência de demasiados sindicatos. A falta de consciência de classe -- e vamos fechar os olhos ao facto de que classes e corporações não são conceitos inteiramente coincidentes -- não é apanágio exclusivo dos professores, é condição contemporânea que muito facilita o trabalho aos poderes instituídos. "Dividir para reinar", já lá diz o povo.

Mas vais ter que fazer mais do que afirmá-lo para me convencer de que os problemas dos professores não fazem parte dos problemas da educação em Portugal.

Prof -- "Ó, fixe! Apesar de ter formação superior, sou um trabalhador de segunda, ao qual não são reconhecidos direitos básicos, como o de passar a efectivo no fim do prazo legal de contratação temporária ou o subsídio de desemprego. Mas como sempre quis ser missionário, não me importo nada!"

Quanto às citações. A primeira é de uma alarve falta de rigor e de um malabarismo retórico divorciado da verdade. A segunda é uma generalização pateta e bacoca.

Tu o dizes, apesar de falares da opinião de dois pares profissionais. Em parte alguma deixei escrito que era a palavra revelada, mas simplesmente opiniões que me pareceram oportunas.

E, embora não seja esse o caso presente, nem sempre o facto de citar alguém significa concordância plena. O facto de ler o Céline não quer dizer que milite ao lado dele...

(Tu, eu e o VPV também somos licenciados vomitados da Faculdade. E quê?) Se o VPV acha que a Faculdade forma energúmenos, demita-se [...]

Pois, e olha o bem que isso nos faz. Somos aliás, tu em especial, claros exemplos do condicionamento anti-intelectual da nossa cultura, que condena esta nação a não passar da cepa torta.

Quanto à demissão do VPV, fazes-me lembrar o pai Josef, ou o António Oliveira das finanças (o que vai dar ao mesmo, i.e., em legiões de lacaios); podes não gostar dele, mas o currículo académico do homem, que é o mérito que ele tem, não é propriamente despiciendo. Penso que devias ter maior consideração por isso, afinal também fazes parte da clique...

Como já escrevi anteriormente e me vejo compelido a reiterar, não é contra os professores a minha guerra, é contra uma certa (in)cultura, a do imediatismo, do economicismo , do situacionismo e outros ismos que embotam o potencial da inteligência contemporânea. Mas isso é outra história.

Para terminar uma réplica tão curta quanto o ensejo permitiu, digo-te que rigor e verdade são valores que me são caros, desde que não sirvam para me calar a boca; digo também que não é na espuma dos dias, mas na reflexão, que procuro fundamentar as minhas intervenções. Nem sempre o consigo, mas menos o conseguiria se deixasse de tentar.

Chato, mas teu,

Miguel A.

12:35 da tarde  
Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Miguel:

Isto animou, de facto, eh eh eh! Mas, na verdade, parece que nos andamos a tresler mutuamente. Andamos mesmo.

Estou com bastante trabalho e não te vou poder responder hoje cabalmente. O problema é que já estou como tu. Cada frase tua merecia uma análise e uma resposta. Mas isso seria de loucos.

Por hoje comento apenas dois aspectos. Nos teus comentários que se encontram nesta caixa há claramente uma crítica (feita de muitas farpazinhas) aos professores. Aí não te tresli. (Muitas vezes as nossas palavras ultrapassam as nossas intenções quando não as atraiçoam ou as denunciam). Qualquer pessoa com capacidade de fazer análise de discurso sabe ver isso. Um exemplo apenas (de muitos): dizeres que os professores do secundário são uma classe privilegiada é de bradar aos céus e contém uma crítica velada a este grupo profissional. Não o podes negar. Privilegiados em quê? no que ganham (não penses nas pessoas de 50 anos, pensa nas de 20 e 30)? Nas condições de trabalho que têm? No stress que os arrasa? Garanto-te que quase todos os profs trocariam de bom grado o seu emprego por um 9 to 5 normal. Falando em meu nome, só queria poder trabalhar sem angústia e irritação! (Miguel, tu não sabes o que é dar aulas a turmas problemáticas, de teres porralhos a quererem insultar-te, de escarrarem no teu trabalho e de se rirem na tua cara; e, ainda assim, dares o litro para criares condições e para eles terem resultados positivos. )

Dizes: "Agora, essa de que foram escolhidos para bodes espiatórios é anémica". O argumento não é anémico porque não é argumento; é facto. Miguel, porra! Só podes achar isso porque o problema não te toca e ele não te assalta pessoalmente como a mim. Mas ele está lá. Não sou eu que o vejo. Liga a rádio, vê como são dadas as notícias sobre professores, vê a imagem do prof. nos programas da TV, ouve o que dizem os comentadores. Se quiseres ser fiel à verdade, tens de ver as coisas objectivamente.

Olha, vou ficar-me por aqui. Acrescento só uma coisa. O VPV é pago como investigador do CES. Não dá aulas; tem escrito pouquíssimos artigos científicos (disse que já não tem paciência); os livros que tem produzido não são académicos (não percebi ainda se este sobre Paiva Couceiro o é); usará o seu tempo de investigador para escrever artigos de opinião para o 'Público' e para outras publicações. Eticamente, há aspectos a questionar. Não podemos viver dos nossos louros. Quer ser jornalista? Não receba como investigador.

Perdoa a resposta errática, que andou aos zigue-zagues e não deu conta das várias questões que levantes.

Um abraço de quem gosta de uma boa polémica e ficou contente por ter deitado gasolina para esta fogueira. Eh eh eh!

11:35 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Taco a taco:

Um exemplo apenas (de muitos): dizeres que os professores do secundário são uma classe privilegiada é de bradar aos céus e contém uma crítica velada a este grupo profissional.

Há algum autocentramento nesta crítica: comparados com classes como pescadores, agricultores -- que são cada vez menos é verdade, mas que constituem ainda uma larga faixa da população nacional -- ou, mais perto de casa, um cantoneiro de limpeza ("homem do lixo"), um empregado da restauração, ou mesmo aos tais seguranças ou operadores de turismo que tu mencionaste, são os professores privilegiados ou não?

É evidente que me procuro situar num quadro de análise social e não no plano dos psicodramas individuais. Basta considerar três das variáveis principais para estabelecer o facto: nível de habilitações, nível de rendimentos e, apesar de tudo, prestígio social. A conclusão é incontornável, para mais num país onde o grosso da administração pública tem como habilitação média a antiga quarta classe. E, por favor, não me respondas com mais determinismo social, que para isso já me chagam os nosso putativos socialistas.

Mas talvez tenhas razão quando afirmas que há nas minhas palavras uma crítica colectiva aos professores. É que eu atribuo tal importância à educação que tenho dificuldade em aceitar o regime de sucessivos mínimos olímpicos que se vem instituindo por cá.

Um ínfimo exemplo: numa turma da cara metade, numa daquelas matérias que tu bem conheces, destinada a ensinar universitários a escrever Português, a melhor aluna é búlgara -- 18 valores. A média da restante meia-dúzia, bravos lusitanos, é 7... (e são de letras!)

Só podes achar isso porque o problema não te toca e ele não te assalta pessoalmente como a mim.

Desculpa lá não carregar um bocadinho a tua cruz, mas tou a ter dificuldades com a minha... Em termos reais ganho menos agora do que ganhava no primeiro emprego que tive -- não contando a miséria do famigerado estágio -- pós-licenciatura. A minha carreira tá congelada há mais dum ano. Gajos pra andar ao papel são a tostão a dúzia. E pelos vistos vou ter de trabalhar até morrer, por obséquio do governo da mãozinha. E é só o início do rol...

Deixa-me acrescentar, como ex-profissional, que se buscas matéria crítica e orientação ideológica na televisão, bem podes ir já inscrever-te no MacDonalds ou na Pizza Hut, pois é esse o lugar que te está reservado.

O VPV é pago como investigador do CES. [...] Quer ser jornalista? Não receba como investigador.

O trabalho do outros nunca vale peva por cá, por isso tamos sempre a começar do zero. Mas é a tua opinião, teu direito.

Quanto ao mim, à falta de mais elementos condenatórios, é um gajo que me lembro de ler desde que tinha prá aí doze anos. Foi ficando um bocado facho com os anos, mas é um tipo que não tem medo de vir à praça fazer pegas de caras. O que é mais, muito mais, infinitamente mais, do que faz a maioria.

E, já agora, antes ele do que estes:

Universities for Sale
[http://www.latimes.com/news/opinion/la-oe-washburn21jul21,0,6569854.story]

Most of us place enormous faith in our universities. We trust that they are autonomous, independent institutions committed to education, scholarship, academic freedom and the production of knowledge free from the influence of special interest groups. Right? Wrong...

Lateralmente, se baseias a defesa da tua classe no achincalhamento das outras -- mesmo que seja a dos ardinas -- não terás um longo caminho a percorrer.

Espero que não te sintas compelido a responder, tal como eu não sinto. Faço-o porque me apetece e porque, apesar das nossas diferenças de opinião, tenho muito gosto em conversar... ahn, teclar contigo.

Salve,

Miguel A.

11:14 da manhã  
Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Demorei uma hora a escrever uma resposta, que se apagou completamente. Não vou ter agora tempo de reconstituir

Sinto-me muito frustrado. Muito mesmo. Grunf!

Miguel, deixa-me pedir-te uma coisa: tira uns 5 min e comenta lá a aranhiço.

Abraço.

P.S. Tou muita porco! LOL

P.P.S. M*rda do blogger. #*?%&#}

10:10 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Queres crer que me aconteceu aglo muito semelhante, esta manhã, quando comentava o teu problema? Faltou e luz e pft... lá se foram as laudas.

Dizia eu, na altura, que uso um pequeno truque para evitar esses galos: antes de picar no botão para postar, faço "select all" ("seleccionar tudo", CTRL+A ou CTRL+T, consonate o sistema operativo) e faço CTRL+C para copiar o texto para o "clipboard" ("área de transferência"); assim, se a coisa falhar, posso facilmente recuperar o material com o "paste" ("colar" ou CTRL-V)...

Ufa, que é complicado falar desta coisas em português -- em inglês, uma pequena frase chegava.

Miguel A.

PS: o aranhiço não me inspirou particularmente, por isso "deixa prá lá".

3:44 da tarde  
Anonymous Tiberíades Rambam said...

Já me ía esquecendo!
Agora para o ME, Química e Física, os exames claro, são os "Entalados".
Só não sei quem na realidaede são os "entalados", se os exames, se os alunos, se os prof´s, se a equipa de exames, se a Srª Ministra (pois parece que a sua popularidade já anda pelas ruas da amargura".
Agradece-se que nos esclareçam os digníssimos comentadores sobre quem é que consideram que caiu o "entalanço".
Um pequeno tópico para a discussão:
-Quando a Srª Ministra e os seus "acólitos" tentaram lançar as culpas para os prof's que não souberam adaptar-se ao novo programa, já não o fez apenas aos prof's do ensino oficial, feze-o (em vez de “fê-lo” – os novos tempos obrigam) a todos, até aos do ensino particular e cooperativo. Portanto, o problema que se atribui aos professores não tem nada que ver com carreiras ou progressões, mas outra coisa, que por acaso ninguém sabe o que é. Ou sabe-se?

5:34 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Numa palavra: xiça!

Ainda bem que não sou prof; mas ca ganda sarrabulho...

Miguel A.

11:28 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Pois é, o sarrabulho continua. Agora com o Prevedor à perna!!!
Este Ministério está condenado. A educação em Portugal continua á deriva...
Os ares de eficiência e competência que estes ministeriáveis cultivavam esvaiu-se. Não porque tocasse nos prof's, mas sim porque tocou em valores inestimáveis:
Justiça, equidade e o futuro dos jovens.
Erros destes pagam-se mais cedo ou mais tarde.
Mais uma vez as entradas leoninas falharam, foi-se a credebilidade, resta a arrogância.
Até quando?

1:15 da manhã  

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