quinta-feira, outubro 26, 2006

Brecht e os heróis


Pode bem ser que a sociedade-espectáculo seja mesmo o fim da História e que não nos reste mais que utilizar o método democrático para fazer as contas com ela. Ao som de um qualquer hino triunfal, que a dignidade do momento não é para menos... A escolha dos grandes portugueses é o grande desígnio nacional de uma sociedade que não encontra verdadeiro desígnio nem propósito nem projecto. É só um pretexto para debater, dizem os mestres de cerimónias, mas está bem de ver que é o próprio conceito de História que resulta abastardado. Absolutamente modernos, encarrapitamo-nos no cimo da História julgando que somos os seus guardiões finais. Nisto, apeteceu-me voltar ao Teatro Aberto para ouvir o Galileu de Brecht exclamar como são pobres os povos que precisam de heróis.

3 Comments:

Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Seja bem vindo com este seu (muito aguardado) post de estreia.

Uma das várias coisas que me parece curiosa no âmbito da escolha do "maior português" é o contraste que se gera entre esta eleição que os media promovem e a discussão sobre valores que a sociedade civil anda a apadrinhar. É que comparar Aristides de Sousa Mendes com Figo é comparar chocolates com latas de sardinha. Que critérios importam de facto a esta sociedade? Será que o critério 'merdiático' é o único que vale alguma coisa?

8:07 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

É mesmo um reflexo da parolada nacional a ideia de termos os melhores portugueses. Vou fartar-me de rir quando elegerem Salazar como o maior português de sempre.

9:28 da tarde  
Blogger Xor Z said...

É só mesmo para lhe desejar boasvindas. Continue assim que estou a gostar.

9:34 da tarde  

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