Brecht e os heróis

Pode bem ser que a sociedade-espectáculo seja mesmo o fim da História e que não nos reste mais que utilizar o método democrático para fazer as contas com ela. Ao som de um qualquer hino triunfal, que a dignidade do momento não é para menos... A escolha dos grandes portugueses é o grande desígnio nacional de uma sociedade que não encontra verdadeiro desígnio nem propósito nem projecto. É só um pretexto para debater, dizem os mestres de cerimónias, mas está bem de ver que é o próprio conceito de História que resulta abastardado. Absolutamente modernos, encarrapitamo-nos no cimo da História julgando que somos os seus guardiões finais. Nisto, apeteceu-me voltar ao Teatro Aberto para ouvir o Galileu de Brecht exclamar como são pobres os povos que precisam de heróis.

3 Comments:
Seja bem vindo com este seu (muito aguardado) post de estreia.
Uma das várias coisas que me parece curiosa no âmbito da escolha do "maior português" é o contraste que se gera entre esta eleição que os media promovem e a discussão sobre valores que a sociedade civil anda a apadrinhar. É que comparar Aristides de Sousa Mendes com Figo é comparar chocolates com latas de sardinha. Que critérios importam de facto a esta sociedade? Será que o critério 'merdiático' é o único que vale alguma coisa?
É mesmo um reflexo da parolada nacional a ideia de termos os melhores portugueses. Vou fartar-me de rir quando elegerem Salazar como o maior português de sempre.
É só mesmo para lhe desejar boasvindas. Continue assim que estou a gostar.
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