quinta-feira, março 16, 2006

Helder do Amaral, deputado do PP

Vi claramente visto... um africano (bem africano) na bancada do PP. Mais, o partido de Portas até o pôs a falar sobre a política da saúde. Tratava-se de Helder do Amaral, um técnico de turismo de 38 anos com o curso de Direito deixado a meio (ficou-se pelo 3º ano).
Antes que me acusem de racismo, digo já, COM MÁXIMA SINCERIDADE, que acho muito útil haver africanos no Parlamento e que me parece inadmissível que os partidos políticos não coloquem em lugares elegíveis cidadãos das minorias étnicas (que saudades tenho de ver o Fernando Ka na AR!). Como as coisas estão, a Assembleia não pode alegar que representa os interesses de todos os portugueses se não tem entre os deputados elementos de grupos étnicos e religiosos com grande expressão na sociedade. Os deputados, caucasianos e católicos (ou agnósticos), não podem presumir que conhecem as realidade das populações africana, judaica, cigana, de emigrantes de leste (etc.) que vivem em Portugal.
Volto ao deputado Helder do Amaral para dizer o óbvio. O parlamentar foi colocado por uma questão de marketing político (não terá sido pela sua competência técnica, visto que o curso de Direito ficou a meio). A direita tem destas coisas e o exemplo veio do governo conservador de Bush, que tinha Powell e agora tem Condoleezza Rice. É a direita no seu melhor, a atirar-nos areia para os olhos. Não conheço o deputado Hélder do Amaral. Mas se ele lá estivesse para defender os direitos dos "afro-portugueses" (que bem necessitavam de ser defendidos), não era na bancada do PP que se sentava.
Uma colega africana explicou-me que os africanos têem um rótulo para classificar aqueles que são "pretos" por fora e brancos por dentro (i.e., que viram as costas à sua africanidade quando se integram na sociedade branca). A esses chamam eles os Bounty.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

ao ler o seu post fui atingida pela ideia: "porque não serão os brancos capazes de defender os interesses das comunidades negras e vice-versa?". Supostamente, um deputado eleito representa os interesses daquele que o elegeram, independentemente da cor da pele de uns e de outros. Para além disso, não terão os negros direito a terem convicções políticas conotadas com a direita? Há alguma incompatibilidade genética, é?

12:07 da manhã  
Blogger Alexandre Dias Pinto said...

Não se trata de incompatibilidade genética. Trata-se de conhecer a realidade da população africana que vive no país - e nós os brancos não fazemos uma pequena ideia do que essa realidade é, embora alguns tenham a presunção de a conhecer. Em segundo lugar, acha mesmo que os políticos brancos estão a defender os direitos dos negrosos no nosso país? Não estão! Claramente, não estão!!! Além disso, só quem sofre na pele os problemas está apto a falar de forma aguerrida dos males que o afectam. Caso sejam APENAS os políticos brancos a defender os direitos dos africanos, rapidamente surgem os conflitos de interesse. É sempre assim.

Os africanos deviam ter representantes próprios e bem preparados (e existem cidadãos com este perfil). Só que, para tal, os partidos representados no parlamento tinham de os colocar em lugares elegíveis. E não o fazem por clientelismo interno e por receio de perder votos de "brancos".

12:42 da manhã  

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