quarta-feira, junho 21, 2006

Diógenes de Sínope

Diógenes de Sínope nasceu na citada cidade, em 404 A.C., que, para os mais distraídos da ciência geográfica, se situa no que é hoje a actual Turquia.
Ter-se-á deslocado para Atenas onde se tornou discípulo de Antístenes, de quem já demos notícia, o fundador da Escola Cínica. Esta vertente filosófica, que se englobava nas chamadas Escolas Socráticas Menores, tinha como preocupação dominante o domínio moral, o que constituía uma vertente maior da doutrina socrática.
O lado anedótico da existência de Diógenes, considerado o mais famoso filósofo da Escola Cínica, guardou algumas histórias que se tornaram famosas: a acusação de contrafactor numismático, o domiciliar-se numa barrica ou barril, o percorrer as ruas de Atenas com uma lanterna esquadrinhando um homem virtuoso, o pedir a Alexandre (não é o da Barrica, é o outro o máximo) que lhe não tirasse o que lhe não podia dar, para os mais desatentos tratava-se do Sol, e o julgamento de Platão que o considerava um socrático estouvado porque, geralmente, se opunha às convenções estabelecidas.
Morreu em 323 A.C.
Da imagem não posso deixar de assinalar a presença da barrica, da lanterna, a farpela descuidada e ascética, a nitidez do cá e o enublado do lá e o olhar inteligente dos cães a fazer relembrar a etimologia da escola ou outra coisa que não vou dizer para não ser processado.
O quadro parece que é dum francês e se pesquisarem nos arquivos encontram um post do Alexandre (este sim, o da Barrica) onde está devidamente identificado.
PS Faço aqui mais uma concessão às imagens porque o representado na imagem tanto pode ser Diógenes como o Zé da Esquina, de Atenas entenda-se.

3 Comments:

Blogger Alexandre Dias Pinto said...

E assim está apresentado o nosso patrono!
Acrescento apenas uma definição encapsulada de o que é um cínico nos nossos dias (a semântica do termo alargou-se, ganhou novos matizes):

Cinismo (acepção actual, que não caracteriza a escola Cínica da Idade Clássica): "Presently the word generally describes the opinions of individuals who maintain that only self-interest motivates human behavior, and who are disinclined to rely on sincerity, human virtue, or altruism."
(Definição sacada da Wikipedia... há que adoptar a dúvida sistemática em relação a esta enciclopédia on-line; mas achei que esta definição está certeira.)

2:08 da manhã  
Blogger Xor Z said...

Bem neste post esqueci-me da influência que os cínicos tiveram, directamente e indirectamente, sobre a escola estóica. Talvez para breve um arigo sobre o jardim.

11:26 da tarde  
Blogger Saulo de Tarso said...

Diógenes nada teria deixado escrito, e os filófofos posteriores que porventura tenham baseado suas investigações nas teorias dele cometeram a indelicadeza de não lhe atribuir o mérito de suas referências.

Em decorrência disto pouco sabemos do que a filosofia cínica originalmente postularia, senão pelo que se pode inferir muito mais do comportamento excêntrico de Diógenes do que propriamente pelo pensamento que lhe logrou um lugar de destaque entre os pensadores de sua época.

Mas ainda alimento a esperança de que se possa, a partir do episódico encontro entre Alexandre, O Grande, e Diógenes vislumbrar a principal caracteristica desta escola filosófica.

Eis que vemos, na alegoria do relato, a luz dos homens em pessoa; a própria personificação do Sol em sua época, projetar sua sombra sobre um homem esclarecido por suas próprias experiências, impedindo-lhe o acesso a verdadeira fonte de luz.

Neste ponto Diógenes se aproveita magistralmente da situação para definir sua postura filosófica perante a autoridade humana:

"Desejo que não te interponhas entre mim e o meu sol. Não me tires o que não me podes dar".

2:02 da manhã  

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