quinta-feira, dezembro 11, 2008

As faltas dos deputados e a verdadeira face de Soares

Quebro, hoje, o meu silêncio de séculos (seculum seculorum, perdoem as gralhas no latim porque o meu mestre foi o pirata do Astérix) para comentar as declarações do decano (sim, de cano, porque ele supõem que a nossa inteligência cabe no cano de uma mini sagres) da política portuguesa. Em primeiro lugar, atesta o inefável, a propósito das faltas na AR, que os deputados têm direitos. Olhe que não, sr. dr., olhe que não, o que eles têm é regalias, privilégios, benefícios e prerrogativas que mais ninguém neste país tem, olhe que sim, sr. dr., olhe que sim. O que é indiscutível é que, em outra ocasião, já alguém veio assegurar que eles de facto, ia dizer só, assistiam aos plenários, mas, e este mas é fundamental, trabalhavam muito nas comissões e em casa, murmuraram-me aqui ao lado que foi um lapsus linguae, que o que o homem queria dizer é que trabalham muito para a sua própria casa, mas eu pacientemente fiz-lhe ver que ele é que tinha tido um lapsus audio.
Em segundo lugar, certifica que a ministra da educação tem como característica ser possuidora de uma coragem invulgar (acho que não foi este o termo, mas a ideia é que a mulher é corajosa à vigésima quinta casa). Este, pensava eu, não devia ser o apanágio dum político mas sim, digamos, de Aquiles, para recuar até à idade clássica, que morreu cedo, porque morrem cedo os que os deuses amam. O que no caso da D. Maria de Lurdes não aconteceu, o que me leva a pensar que não era corajosa ou que só o foi já muito tardiamente, aqui ao meu lado sussurram-me teimosa, mas eu não posso, em consciência, titulá-la de tal.
Por último, o elogio do nosso “engenheiro”, que o homem faz o que pode e como diz a sabedoria popular, a mais não se é obrigado. O que é um facto é que é o “socialismo na gaveta” a elogiar aquele que o “trancou num cofre a sete chaves e as deitou todas fora para lugar que é impossível de imaginar”. Neste caso rumorejam-me aqui ao lado que o “engenheiro” deve ter prometido ao nosso decano que a descendência, finalmente, iria arranjar a sua colocaçãozinha, mas eu, digo-o à puridade, não posso, não quero, nem devo acreditar em tal asserção que me parece ofensiva e apenas se poderá aceitar condicionalmente, como pura hipótese conjectural num mundo onde só a lógica imperaria.

3 Comments:

Blogger Pedro Isidoro said...

Caro Xor Z:

Não foi em vão que tenho por aqui falado várias vezes no Desejado!... Pois seja muito bem regressado, e com o mordente apetite diogénico para colmilhar os fundilhos desta farandulagem ratona de canos e ingenheiros canudos.

Esse tal que pôs o socialismo na gaveta, já há muito que lá tinha trancado o bom senso. Por isso, a hipótese final que põe é mais que plausível.

1:16 da tarde  
Blogger Xor Z said...

Tem razão, caro Pedro, é o bom senso, o que o filósofo dizia que era a coisa mais bem distribuída do mundo que falta a toda esta gente. Aproveitando a sua referência ao desejado, e mudando-lhe o sentido, declaro-lhe que estou céptico, isto já não vai nem com desejados, ne encobertos, nem embuçados, nem rebuçados e, não posso deixar de aproveitar o trocadilho, não há forma de "dourar a pílula". Cumprimentos para si e para o patronato que com esta dos cinemas da minha infância está, pela minha imaginação delirante, a ser representado como apenas um pouco mais novo qe o aniversiante manoel de oliveirá.

9:51 da tarde  
Blogger Xor Z said...

É pá tanta gralha, para bom entendedor.

9:52 da tarde  

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