quarta-feira, junho 14, 2006

Sobre a greve dos professores

Serei breve num assunto em que havia muitíssimo para dizer. Não podia estar mais de acordo com uma greve de professores. Muitos são os atentados que este governo tem cometido contra a Educação em Portugal. Não exagero nas minhas palavras; não exagero mesmo.
A Ministra da Educação está a descredibilizar de forma perniciosa (perniciosa para a Educação em Portugal, para as novas gerações e para todo o país) o trabalho dos professores. Sendo a Ministra uma socióloga, esta irresponsabilidade governativa torna-se ainda mais grave! Ela tem de perceber que o seu ataque aos professores (pois de um ataque se trata) contribui para minar a ideia de educação em Portugal. Mais ainda, como escrevi nm post anterior, este ataque é feito com motivações eleitoralistas e demagógicas.
A greve é um apelo por melhores condições de ensino. Como é possível ser professor com tamanha carga horária. Perante este facto, os docentes terão menos tempo para a preparação de aulas, para a correcção de trabalhos e para a sua formação. Por outro lado, as reformas que vemos estão a revelar-se prejudiciais para os alunos: carga horária excessiva, programas que desvalorizam a ideia de saber, etc.
Por fim, há que o reconhecer, é também uma greve pelos direitos dos professores. Como as restantes classes, também esta tem direito de defender os seus interesses e de não aceitar injustiças. Os interesses que aqui estão em causa não colidem com a ideia de melhor educação. Os professores defendem-se apenas de medidas economicistas e profissionalmente castradoras. Centralmente, refiro-me ao estatuto da carreira docente (mas não só).

1 Comments:

Blogger Woman Once a Bird said...

Muito bem exposto. Mas esta greve não me parece que venha surtir efeito. Outras formas de protesto parecem-me mais pertinentes. Se o novo modelo passa por enfiar os professores nas escolas sem condições de trabalho, porque não uma greve de zelo? Se nos é exigido melhor desempenho, porque não concentrar os esforços e deixar de fazer, por exemplo, todo o trabalho burocrático que nos é hoje exigido? Porque não reter as notas, por exemplo? Um dia de greve entre feriados parece-me contraproducente. Não me parece que os sindicatos pretendam sequer beliscar todas as questões que devem ser discutidas. Porque não investir em informação real à opinião pública? Andamos em compasso de dança, a escamotear o que realmente é importante. Daí este estado de coisas. A progressão automática é justa? Óbvio que não. Apresentemos então contrapropostas credíveis, em vez das vociferações costumeiras e que provocam nada mais do que bocejos e afirmações entredentes de que, afinal, "ela" até tem razão. É isso que está a acontecer.

10:18 da tarde  

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