domingo, outubro 07, 2007

Espaço espartilhado

Tem sido comummente aceite que, nos tempos modernos, depois da invenção da internet, a noção de espaço se alterou substancialmente. O mundo é hoje, como normalmente se costuma dizer, uma aldeia global, com os efeitos positivos e negativos que daí decorrem. O que talvez pouca gente reparou é que o conceito de espaço partilhado, entendo por esta noção a ideia de partilha de experiências entre pessoas que se encontram face a face, sofreu, ele também, uma mudança radical. Longe vai o tempo em que a avozinha, junto à lareira, contava contos de encantar ou de arrepiar, a rádio deu-lhe a primeira machadada, embora fosse a que menos danos causou, a TV um abalo semelhante a um terramoto, preservando ainda certas prerrogativas, mas, o telemóvel forneceu um novo significado à expressão: “estás com a cabeça na Lua” e fracturou em pedacinhos a noção de espaço partilhado.
Para provar esta minha tese um exemplo só me parece o suficiente. Estando eu a deglutir o almoço notei que numa mesa vizinha se encontrava cinco indivíduos, dois mais velhos, entre os 50 e 60 anos conversavam e conservavam a noção de partilha de experiências face a face, os três mais jovens, com idades compreendidas entre os 15 e 20 anos, munidos de telemóvel partilhavam o espaço com quem muito bem entendiam e só pontualmente interagiam entre si. Neste caso, não havia espaço partilhado, unicamente espaço espartilhado.
Veio-me agora à cabeça: será que mandavam mensagens uns aos outros?

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