sexta-feira, agosto 21, 2009

WOODSTOCK

Terminava em 1945 o segundo acto da Grande Guerra mundial começada em 1914. A beligerância armada continuaria o morticínio no Extremo Oriente, mas na Europa, em vinte anos, viveu-se um período de reconstrução e desenvolvimento tão grandiosos como espantosa tinha sido a devastação bélica. Sucedeu que a geração dos 20 anos de idade nem estava interessada em continuar a guerra em sítios remotos do mundo (Vietname), nem aceitava o industrialismo e consumismo desenfreados da “sociedade do bem-estar”. A contra-cultura do “make love not war” queria viver de outra maneira neste mundo.

O festival de Woodstock, em Agosto de 1969, tem sido considerado o apogeu dessa cultura “hippie”, que surge na confluência do surrealismo libertário (na Europa) e do naturismo anarquista (nos E.U.), como braços duma turva mas impetuosa nascente derivada de oitocentos: o Romantismo.

O livro Acid Dreams, de 1985 (actualizado a 1991), é talvez a mais pormenorizada investigação histórica das circunstâncias do aparecimento e disseminação duma personagem omnipresente em Woodstock – a droga LSD. De facto, é com a cultura hippie que as drogas mais ou menos “recreativas” começaram a “democratizar-se” nas sociedades ocidentais, dando o seu contributo para a preparação do “brave new world” antecipado por Aldous Huxley. Infelizmente, por trás das delícias da “exploração interior” e da “consciência cósmica”, perfilavam-se duas personagens bem terrenas e inquietantes: a indústria farmacêutica (de que o livro não trata); e uma outra, nomeada no subtítulo do livro, interessada em investigar até que ponto a droga disseminada não poderia distrair os jovens dos problemas domésticos e da guerra exterior. Ouvindo Country Joe McDonald em cima, parece que não distraiu. Sobre o trabalho desta instituição, pareceram-me especialmente sugestivas as páginas seguintes: 148 e 149 (muito importantes os dois últimos parágrafos da 148) ; 174; 182; 194 e195 (especificamente sobre Woodstock); 223 e 224; 226 e 227. (A paginação é do documento original impresso.)

Findos os tempos da vida festiva, quando os hippies voltaram para as universidades, alguns deles vieram a dar contribuições notáveis para outra revolução cuja ideologia não será de todo estranha aos ideais de livre partilha comunitária que eles professavam. Os linques a seguir dão conta disso e talvez surpreendam alguns leitores:

http://www.time.com/time/printout/0,8816,982602,00.html

http://www.americanscientist.org/bookshelf/pub/early-computings-long-strange-trip

Enfim, uma prova de que a cultura hippie mais característica não desapareceu de todo (e não desapareceram de todo os problemas com a polícia):
http://en.wikipedia.org/wiki/Rainbow_Gathering

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