segunda-feira, setembro 07, 2009

UM “ANIMAL FEROZ”


O sr. José de Sousa é um sujeito que anda por aí nas televisões a fazer de primeiro-ministro da região mais ocidental da Eurolândia. Uns meses antes de ter vestido o fato-Armani da função, dava a 20 de Julho de 2004 uma entrevista a um conhecido semanário, cujos editores não foram capazes de tirar dela mais que este título de 1ª página: “Sou um Animal Feroz”. Confessava o eminente democrata que, quando se sentia com a razão do seu lado, “não tinha muita paciência para compromissos”; e que nesses momentos podia ser… um “animal feroz”. Não há mister consultarmos os bestiários medievais para saber em que espécie zoológica é classificável a extravagante bestiaga. É a própria criatura que, em entrevista de 16 de Setembro de 2000 ao suplemento DN do Diário de Notícias, já nos revelava a espécie e o carácter:
"- Engenheiro José Sócrates, vamos vê-lo, um dia, primeiro-ministro ?"
"- Não! Primeiro, porque não tenho talento e as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível e que eu não desejo. Ministro é o meu limite".
Nem talento nem qualidades. Até com a verdade nos engana, o sujeito!



[ O individuo, por quem é, não merece mais. Vivêssemos nós as condições duma normal vida social e política, jamais o sr. José de Sousa teria passado dum verborreico e labaceiro promotor de vendas privado, sem categoria para quaisquer funções de serviço público.

Os bebedores do Tonel, a quem tenho procurado servir do bom e do fino, estranharão o trazer-lhes aqui tão revulsivo verdasco. Há dois motivos. O tonel de Diógenes está na Cidade, e o nosso Cão era alertador dela contra as fátuas arrogâncias dos tiranos. Já desde 2006 alguns amigos da Cidade têm prestado aqui esse testemunho cívico, e eu não poderia deixar de o fazer também; mas tinha de o fazer antes duma eventual secundarização política do sujeito, que proximamente o livrasse a ele (a nós!) da tal “vida horrível”. O segundo motivo é que o “animal feroz” é um tipo exemplar daquela fauna rascorosa que desde os anos 80 desencanou o enxurro de alcatrão, do betão e da corrupção em que nos atolamos hoje. O sr. José de Sousa não é mais que uma vácua e sombria personagem espelhada em muitas personagens. Não é um, é legião

O quadro de Clive Barker titula-se, naturalmente, O Mentiroso. ]

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