domingo, abril 01, 2007

O Papão Lusitano

O branqueamento da imagem de Salazar, a omissão das atrocidades do ditador, durante toda a campanha eleitoral, promovida pela televisão do estado, sob a égide da "esquerda moderna", merece uma profunda reflexão.
Pacheco Pereira tem razão quando diz que há um "salazarismo difuso" em quase todos os partidos, CDS, PS, PSD, PC. Este "salazarismo difuso" não é novo, existe, desde sempre, nas entranhas do regime democrático. Porém, entre esse "salazarismo difuso" e um "salazarismo assumido" vai uma grande distância. O que ganhará a TV do estado, de um estado socialista e centralizador, em promover a imagem do ditador? Claro que, nenhum partido, sobretudo, os partidos do "arco de poder", com responsabilidades internacionais, será tão estúpido que deseje colar-se ao cadáver do famigerado ditador e da sua defunta ideologia.
Curiosamente, na mesma semana em que Salazar "ganha as eleições" por uma esmagadora maioria de 200 mil votos (ou seja, de chamadas telefónicas que até podem ser feitas por meia dúzia de indivíduos) é publicitado na Rotunda do Marquês um gigantesco outdoor neofascista. Coincidências? Não, em política não há coincidências. Quem ganhará com a promoção do "Papão lusitano" (termo utilizado pelo dramaturgo marxista Peter Weiss, para designar o ditador Salazar)?
Em França a Senhora Royal tem descido nas sondagens a favor de Sarkosy. Contudo,desde que o fascista Le Pen vomita ódio, a subida nas sondagens da Senhora Royal é proporpocional à brutalidade revelada pelo fascista Le Pen. Não foi, assim, que a esquerda em França ofereceu o seu voto ao antifascista e grande democrata Chirac? Não foi assim que, em 84, o PC e a extrema esquerda ofereceram os seus votos a Mário Soares, impedindo o terrível fascista e ditador Freias do Amaral de chegar ao topo do estado?
Diz-se que o governo está reflectir sobre a legalidade ou a ilegalidade do cartaz da Rotunda do Marquês. Curiosamente, esse mesmo governo não teve, há pouco tempo, qualquer dúvida sobre a ilegalidade do passeio dos militares, esses cidadãos pacatos, ordeiros, ou sobre a ilegalidade da manifestação pacífica dos professores, na região autónoma da Madeira. Ao que parece, as eleições de 2009 já começaram e, pelo andar da carruagem, já poderemos adivinhar quem as vai ganhar.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O fantasma de Salazar não passa de um epifenómeno da lusa menoridade mental. O cartaz foi, pelo visto, uma eficaz medida de marketing político. Já o Le Pen, apenas porque está vivo e continua assanhado, é um perigo real -- rigorosamente proporcional à expressão que conseguir nas urnas, uma vez que o outro, o do bigode à Charlot, também começou a vencer eleições...

Já o disse e volto a reiterá-lo: não há ditaduras da direita ou da esquerda, independentemente dos pergaminhos ideológicos que usam como camuflagem. Há apenas regimes autocráticos assentes no desprezo pela condição humana e na opressão dos indvíduos.

A propósito, lembremos o que as 'exemplares' democracias do Ocidente têm convenientemente esquecido: o gigante chinês não é nem será no próximo futuro uma democracia, como bem o sublinha a memória da praça de Tiananmen.

[Clip Video]
[http://www.glumbert.com/media/tsquare]

Miguel A.

12:25 da tarde  
Anonymous Xor Z said...

Caro Raimundo
O cartaz, porque é actual e representa O,qualquer coisa nas urnas, preocupa-me mais que o Salazarismo difuso ou não. Esta gentinha quer-se ir afirmando como pode. Ele foi manifestações em Vila de Rei e agora aviões cheios de imigrantes. Pergunta pertinente: será que eles é que pagam as passagens?
Só hoje é que vi o seu comentário ao post anterior, deixei-lhe uma pergunta.
Cumprimentos para si que não há quem o veja.

9:42 da tarde  

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