sexta-feira, junho 15, 2007

Negócios da China

Durante o período Stalinista, era o regime soviético que definia as prioridades das pessoas. O chefe ditador, através dos seus agentes, dirigentes locais do partido, conhecedores da vida privada dos seus súbditos, providenciava a satisfação das suas necessidades. Assim, à visão absolutista do estado associava-se uma perspectiva negativista, pessimista dos indivíduos, isto é, os súbditos do regime stalinista eram vistos pelo estado/partido como uma cambada de mentecaptos que não eram capazes de dirigir os seus destinos e de escolher os objectivos mais correctos para si. Por isso, o estado/partido estava lá para decidir e escolher por eles próprios. Apesar da “eficiência” da máquina estado/partido, as necessidades das pessoas raramente correspondiam às necessidades delineadas pela máquina do estado/partido. Estas eram directamente emanadas dos grandes planos quinquenais traçados “cientificamente” pelo sumo chefe ditador. Assim, esta estutura raramente satisfazia as necessidades mais prementes da população, mas, ao invés, satisfazia os grandes interessses políticos do estado/partido e, sobretudo, os responsáveis locais que definiam as prioridades de cada um e que eram também os responsáveis pela distribuição das senhas e dos produtos. Assim, a par da crescente pauperização da população, foi crescendo, à custa desta, a opulenta plutocracia comunista. Os míseros salários da população, transformados em senhas “oferecidas” pela máquina estado/partido, de acordo com as suas conveniências políticas, serviam para alimentar essa mesma máquina corrupta, absolutamente divorciada desse mesmo povo que, pretensamente, dizia proteger.Ora, a “oferta”, do Senhor Engenheiro, anunciada com pompa e circunstância na Assembleia da República, de um computador portátil aos professores e alunos deste país, em nada se assemelha a este estilo soviético. Obdece, julgo saber, a um projecto, não quinquenal, que dá pelo nome de “choque tecnológico”. Não serão os responsáveis locais, ao contrário do regime soviético, a distribuir estes produtos àqueles que são detentores do cartão partidário. Aliás, esses produtos não serão adquiridos num qualquer “armazém do povo”, mas sim numa credenciada empresa internacional, cuja identidade dificilmente poderemos imaginar. Ao contrário daquilo que se passou no regime soviético, aqui, neste pequeno país, não há corrupção e, como tal, não há, nem haverá, uma plutocracia que possa sonegar uma parte dos produtos distribuídos por qualquer saco azul.Aproveito para agradecer, desde já, ao Senhor Engenheiro pela “oferta” do computador, que certamente me será destinado. No entanto, preferia que me devolvesse aquilo que me pertence (retirado pela sua decisão de congelar as carreiras) e que é monetariamente bem superior a um portátil made in China.

1 Comments:

Blogger Papoila said...

como FP exijo a mesmo. Muito bem.

1:01 da manhã  

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