terça-feira, dezembro 18, 2007

Local shop for local people

Nada mais me surpreendeu este fim de semana que o anúncio dum proprietário dum restaurante, do qual vou omitir o nome para lá poder continuar a comer descansado, que teria que deixar de poder ter vinho caseiro, isto porque a ASAE o ameaçou de lhe selar as pipas ou barricas ou, ainda, tonéis, como gosta o Alexandre.
Depois do encerramento da Ginjinha do Rossio, primeira machadada na cultura nacional, vai-se agora correr o pano sobre essa instituição nacional que se chama o vinho caseiro. O fim do vinho caseiro, depois do fim da galinha caseira, etc., é, não tenho qualquer dúvida, o fim da grande instituição cultural portuguesa e a esta se irão seguir, inevitavelmente, com o concurso do tempo e da ASAE, o fim das tascas. Já imaginaram o fim do pastel, ou bolo à moda do Porto, de bacalhau, do peixinho da horta, do jaquinzinho, da patanisca, etc. Uma verdadeira catástrofe nacional.
Tendo tudo isto em conta e atendendo ao facto da ASAE, seguramente, seguir normas europeias que nos conduzirão todos às pocilgas do MacDonald ou outras porcarias semelhantes, lanço uma campanha nacional (não sei porquê estou nesta das campanhas) para que as tascas sejam mantidas debaixo do lema: Local shop for local people. E da minha parte, num esforço ingente para a manutenção desses edifícios idiossincráticos da cultura nacional, contribuo com a tradução seguinte em vernáculo: Lojas regionais só para patrícios.

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